Na primeira metade do séc. XVIII (dezoito), década de trinta, o povoado tinha então uma certa expressão demográfica aproveitando os moradores para, por ocasião das visitas pastorais, pedirem ao visitador licença para construir uma capela, dadas as dificuldades de acesso à Igreja Matriz, principalmente no Iverno.

Contaram sempre para o efeito com a oposição do reitor de Navais, a quem pertencia o lugar, mas conseguiram autorização do visitador nesse mesmo ano de 1730.

Quase meio século depois, dado o facto de a população ter aumentado muito, pois já excedia a da matriz, este lugar tinha direito a Capelania, isto é, nele viver, celebrar a missa e cumprir todas as obrigações religiosas um padre, mas faltava ainda o mais importante que era a capela.

Só em 1873, quase cento e cinquenta anos depois da autorização é que conseguiram construir uma capela condigna. Na sustentação do culto e para que este não acabasse, alguns moradores distinguiram-se ao ponto de hipotecarem as suas terras.

Para dar o nome à Capela e padroeira do lugar adquiriram no convento de St.ª Maria de Bouro por cinco mil reis (hoje equivaleria a pouco mais de dois cêntimos) a então imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, mandaram restaurá-la e passaram a chamar-lhe Nossa Senhora da Boa Viagem.

A sua chegada estava prevista para o dia 25 de Março, mas um atraso no restauro e acabamento relegou a sua vinda para 4 meses mais tarde. Por isso é que o dia 25 de Julho é consagrado à padroeira Nossa Senhora da Boa Viagem, pois foi nesse dia do longiquo ano, de 1873 que, transportada à cabeça da senhora Teresa Gomes desde Braga até ao Rio Alto, e daí num lindo andor em cortejo de festa, que ela deu entrada no lugar de Aguçadoura onde hoje é tão venerada.

À sua chegada ao amplo terreiro, grande multidão recebia a imagem da sua padroeira com cânticos e vivas de louvor.

Nesse dia de festa para todos os moradores do lugar era inaugurada também a capela, que mais tarde, aquando da criação da freguesia se tornou na Igreja Paroquial de Aguçadoura.

Com a população sempre a aumentar esta primeira capela foi ampliada já nos primeiros anos do séc. XX (vinte), mais precisamente em 1906, transformando-se então numa igreja já com dimensões razoáveis para a época. Dessa igreja, hoje só restam de pé a torre e a frontaria, em memória dos antepassados que tanto lutaram para a edificar.

Mesmo com a ampliação e já com uma igreja igual ou maior que as freguesias vizinhas, esta mostrava-se insuficiente para albergar uma população que em 1950, apenas 16 anos após a independência era já de 3000 habitantes. O Pároco de então, Pe. Augusto Soares que já paroquiava a freguesia a sua fundação, comela a sonhar com uma nova igreja. Depois de várias peripécias e muita luta para vencer as dificuldades surgidas, que foram muitas, lá conseguiram começar a obra no ano de 1951.

Esta monumental obra demorou 6 anos a construir e foram seus empreiteiros; Álvaro Fernandes Serra, da Póvoa de Varzim, Avelino Gomes do Monte e António Joaquim da Silva de Aver-o-Mar. Custou 1500 contos (hoje equivaleria a 7500 euros) que foram suportados na totalidade pela população da freguesia.

Para além da colaboração monetária, todos colaboraram também com o seu trabalho, ajudando na abertura das valas para os alicerces, no carregamento das placas (principalmente a do tecto) e na cobertura, passando as telhas de mão a mão em fileiras de pessoas. Os jovens também ajudaram, pegando as raparigas as telhas e os rapazes a madeira.

A 3 de março de 1957, ainda sem a torre já com o essencial; um sacrário novo, modelo original à prova de fogo oferecido pelas mulheres que custou 8 contos (40 euros) e um altar mor em pedra mármore inteiriça com 3 metros de comprimento, 55 cm de largura e 20 cm de espessura e uma tonelada de peso, é celebrada pela primeira vez a missa e sermão na nova igreja.

Dez anos depois de ter começado a construção da igreja já em 1961 é que é levantada a torre.

Esta é ainda hoje um dos maiores templos religiosos do norte do país e o maior do concelho. Nela se realizam no último Domingo de Julho de cada ano, as mais e afamadas e prestigiadas festas de toda a região promovidas por uma paróquia em louvor da sua padroeira: Nossa Senhora da Boa Viagem, paróquia de Aguçadoura.

 
Armindo da Silva